I ciclo de palestras sobre o vírus Zika
Foto: Egidio Oliveira
I ciclo de palestras do Fórum Permanente sobre o vírus Zika

Envolver a comunidade acadêmica em eventos que possibilitem a informação e desenvolvimentos de ações para enfrentamento da não efetividade do controle do vetor Aedes aegypti. Com este objetivo, o Grupo Oswaldo Cruz realizou na noite de segunda–feira, dia 02 de maio, no Auditório Professor Hirondel Simões Luders, o I Ciclo de Palestras do Fórum Permanente sobre o vírus Zika e outros arbovírus.

O evento organizado pelas professoras Alice da Matta Chasin, coordenadora da área da Saúde do Centro de Pós–Graduação, e Márcia Freire Gorny, coordenadora do curso de Engenharia Ambiental, contou com 468 inscritos e marcou o início do Fórum Permanente de Discussão sobre vírus Zika e outros arbovírus. O começo das atividades ocorreu com o relato da professora Alice Chasin explicando o que motivou a criação do evento.

“O início do ano veio acompanhado das alarmantes notícias da microcefalia relacionada ao Zika vírus. Surgiu então a ideia de um evento que abordasse essa questão. Baseado no sucesso do evento sobre o problema ambiental de Mariana, organizado pela professora Márcia Gorny, pensamos em juntar esforços na realização de um evento em conjunto entre a Engenharia Ambiental e a área da Saúde e formamos uma comissão organizadora para agilizarmos o trabalho. Nas discussões técnicas sobre os temas a serem abordados foram tantas as ideias que optamos por um fórum permanente, com várias atividades relacionadas ao Zika vírus”, apontou Alice.

Em seguida, Márcia Gorny explicou as próximas atividades já agendadas. O II Ciclo de Palestras ocorrerá em 26 de setembro e abordará os temas Toxicologia Ambiental e Humana, Diagnóstico e Ações, SUS/Saúde Suplementar e Ética e aspectos Sociológicos. Já o workshop está agendado para ocorrer de 24 a 28 de outubro. A docente também relatou a recepção dos estudantes com a iniciativa. “Estamos muito felizes. É a primeira vez que teremos um fórum permanente. Quando apresentamos para os alunos em sala de aula, vestiram a camisa e compraram a ideia”.

Arbovírus de interesse em Saúde Pública no Brasil na atualidade

A primeira palestra foi ministrada pela pesquisadora científica do Instituto Adolfo Lutz e assistente de direção da Faculdade de Farmácia das Faculdades Oswaldo Cruz, Profa. Dra. Júlia Maria de Souza. Na atividade, intitulada “Arbovírus de interesse em Saúde Pública no Brasil na atualidade”, a docente explicou formas de transmissão, sintomas, tratamentos, prevenções e como reconhecer os focos de mosquitos das arboviroses Dengue, Chikungunya e Zika.

Júlia Maria de Souza apontou que as epidemias estão ocorrendo, principalmente, em virtude da globalização e aos inúmeros voos internacionais que propiciam a rápida dispersão do vírus. “As pessoas estão viajando e junto com as pessoas vão microrganismos”, destacou. A palestrante enfatizou que ainda não existe vacina ou medicamentos contra as arboviroses. Portanto, a única forma de prevenção é acabar com o mosquito, mantendo o domicílio sempre limpo, eliminando os possíveis criadouros.

A inexistência de vacina ou tratamento específico também ocorre nos casos de Chikungunya e do Zika. Os sintomas de Chikungunya são tratados com determinadas medicações para a febre e as dores articulares (anti–inflamatórios). Já o tratamento recomendado do vírus Zika para os casos sintomáticos é similar e baseado no uso de determinados medicamentos no controle da febre e manejo da dor. “Não existem tratamentos e a dificuldade é fazer uma vacina. Fazer uma vacina demanda um tempo muito longo”, ressaltou.

Epidemiologia das Arboviroses

A palestra seguinte foi ministrada pela assistente técnica de Saúde da Divisão de Combate a Vetores (DCV) da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN) e docente do curso de Farmácia das Faculdades Oswaldo Cruz, Profa. Dra Cláudia Barleta. A docente explicou que o ciclo de vida Aedes aegypti dura em média 50 dias e o ciclo evolutivo do mosquito é classificado em ovo, larva, pupa e adulto.

Cláudia Barleta apontou que Dengue chegou ao Brasil em 1946 oriunda da África, a Chikungunya em 2014 vinda da África e da Ásia e a Zika em 2014 proveniente da Ásia. “As pessoas infectadas são os principais reservatórios e multiplicadores do vírus, servindo como fonte de infecção para o mosquito”, enfatizou a palestrante.

Vigilância e Controle do Vetor das Arboviroses

A terceira palestra foi ministrada pela assistente técnica de Saúde na Divisão de Combate a Vetores (DCV) da Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN), Dra. Gisele de Cabral Morais. A atividade contou com as explicações de como ocorrem as ações de vigilância do vetor das arboviroses de responsabilidade dos municípios, divididas em imóveis especiais e pontos estratégicos.

Os imóveis especiais são locais de maior circulação de pessoas, como hospitais e escolas, e pontos estratégicos configuram–se lugares com maior probabilidade de criadouros, como borracharias. O trabalho realizado é composto por vistoria, pesquisa larvária e captura de alado, avaliação dos níveis de infestação, sazonalidade e tendência. “A principal ação nesses locais é a educativa. Quem deve dar continuidade a esse trabalho são os munícipes”, explicou.

Capacitação Dengue, Zika e Febre Chikungunya

A última atividade da noite contou com a palestra da assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF–SP) e também docente da Pós–Graduação da FOC, Profa. Dra Amouni Mourad. A palestra explicou que o conselho iniciou uma campanha há três anos para os farmacêuticos e para a população contra a Dengue e que passou por alterações logo no primeiro ano em virtude do avanço da Chikungunya e da Zika.

As ferramentas oferecidas pelo CRF–SP como material de apoio ao farmacêutico constam capacitações presenciais e à distância, com foco na utilização de medicamentos e repelentes, protocolo para manejo de pacientes e um manual de orientação sobre as arboviroses. “Fizemos uma espécie de algoritmo, um passo a passo, que é uma das ferramentas oferecidas aos farmacêuticos para utilizar como orientação”, relatou Amouni Mourad.

Outras ações na campanha do CRF–SP são distribuição gratuita de materiais para ministrar palestras educativas para a população e a ficha de Atendimento Farmacêutico para as pessoas que procurem as farmácias. Caso apresentem sintomas suspeitos poderão ser direcionadas para os postos de saúde. Já a campanha voltada à população conta com palestras nas comunidades, além da distribuição de folders e cartazes. ‘Fazemos transmissão ao vivo e disponibilizamos também vídeos gravados de palestras que foram dadas. A melhor forma de evitarmos os problemas é com a informação”, enfatizou a palestrante.

O encerramento do I Ciclo de Palestras do Fórum Permanente sobre o vírus Zika ocorreu na subida ao palco dos estudantes e professores do Grupo Oswaldo Cruz que compõem a Comissão Científica do evento para a entrega dos certificados aos palestrantes e o convite para a participação nas próximas atividades do fórum permanente.







  Publicado em: 06/05/2016  por: Egidio Oliveira  
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