Segundo o colunista Tony Goes, do Jornal a Folha de São Paulo, “uma das fantasias recorrentes da psiquê masculina é o medo de um mundo dominado pelas mulheres. Baseado no mito grego das amazonas, neste universo paralelo os homens seriam meros coadjuvantes”.
Cada vez mais temos a impressão de que o mundo pertence às mulheres, algumas ainda não se deram conta, mas começam a suspeitar, sim, começam a suspeitar, porque nunca antes na história o poder esteve tanto nas mãos delas. Só para citar os exemplos, a nossa Presidenta da República Dilma Rousseff, Cristina Kirchner na Argentina, Angela Merkel na Alemanha, Laura Chinchilla primeira presidenta da Costa Rica, Hillary Clinton Secretária de Estado dos Estados Unidos, que por pouco não se elegeu como mandataria máxima em seu país.
A elas somam–se o infindável número de representantes femininas nos poderes executivos e legislativos. Num passado não muito distante, Michelle Bachelet foi a primeira mulher a governar o Chile, Ellen Sirleaf que, em 2005, conseguiu um feito quase inimaginável ao se tornar a primeira mulher eleita presidente de um país africano, a Libéria. Margaret Thatcher também se destacou como primeira ministra da Grã–Bretanha entre 1979 e 1990. Com sua segurança inabalável enfrentou com mão de ferro várias crises, como a Guerra das Malvinas e o preconceito machista no Palácio de Westminster.
Mas por outro lado, paradoxalmente os direitos civis e humanos mais básicos ainda são negados e negligenciados a boa parte das mulheres que ainda continuam sem direito a vida, a maternidade, ao direito de ir e vir, à politica e ao trabalho simples e ao trabalho com renumeração equiparada ao sexo masculino.
Barbáries ainda são praticadas contra as mulheres
Em diversas regiões do mundo uma série de barbáries ainda são praticadas contra as mulheres, submetidas a situações degradantes de intolerância e descrédito. Em países do Oriente Médio, da África e Sudeste Asiático, onde a permanência de grupos étnicos é bastante significativa, ainda se praticam hábitos repugnantes de mutilação física com a intenção de diminuir a feminilidade das mulheres e salvaguardar a honra dos maridos, e alavancada por preconceitos sociais e religiosos. Em casos extremos ocorre a retirada total ou parcial dos órgãos sexuais, para agravar ainda mais a situação, esse tipo de procedimento é conduzido sem nenhum tipo de assepsia, por meio de qualquer tipo de objeto cortante.
A boa noticia é que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) a incidência das mutilações vem caindo nos últimos anos, mas ainda segundo a mesma ONU, cerca de 120 milhões e 140 milhões de meninas e mulheres já foram submetidas a esta prática dolorosa. Em Uganda, na África, a lei é conivente com maridos que batem em suas esposas e reconhece ao homem esse direito. Mesmo sem esse “direito” previsto por lei, na América Latina e Caribe, a violência doméstica atinge entre 25% e 50% das mulheres.
Na Índia o costume do dote é um problema preocupante, segundo a Anistia Internacional cerca de 5 mil mulheres são mortas anualmente na Índia em disputas familiares por dotes de noivas. Por essa razão os indianos preferem filhos do sexo masculino e despreza filhos do sexo oposto. O Brasil um dos maiores exportador de escravas brancas do mundo, um dos que mais envia mulheres para o mercado exterior da prostituição.
O Dia Internacional das Mulheres
Para que esses verdadeiros absurdos não caiam no esquecimento, e como uma solução definitiva, foi criado o Dia Internacional da Mulher, tido como um marco na história moderna, pois de concreto, não existe um consenso sobre o surgimento da data. Para alguns pesquisadores a data tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações também são tidas como o início da Revolução de 1917.
Porém a versão mais aceita remete ao dia 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. As grevistas resolveram ocupar a fábrica como forma de reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A comemoração chegou a ser realizada em outra data. O Partido Socialista da América estabeleceu, em maio de 1908, que o último domingo de fevereiro seria o “Dia Nacional das Mulheres”, mantendo a celebração até 1913. Dois anos depois, organizações socialistas implantaram que a comemoração seria realizada em 19 de março, após reunião sediada em Copenhague, na Dinamarca.
Independente de qual seja a data, o importante é relembrar sempre a simbologia por trás da data, e não permitir que tais atrocidades voltem a se repetir, pensamentos retrógados que giram nessa órbita não devem mais encontram espaço na nossa sociedade, devemos entender que já passou do tempo de aceitar os direitos e deveres de todos sem distinção de sexo, credo, raça, religião ou orientação sexual. O mundo é cada vez mais das mulheres, mas algumas ainda não perceberam...
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