Foto: ABRAFATI
Professor e alunos vencem o 18º Prêmio ABRAFATI
Professor e alunos da Pós–Graduação vencem o 18º Prêmio ABRAFATI

O professor Marcos Fernandes de Oliveira e os alunos Fernando Tosti e Rodrigo Matos, do curso de Tintas : Tecnologia e Aplicações do Centro de Pós–Graduação Oswaldo Cruz, venceram o 18º Prêmio ABRAFATI de Ciência em Tintas. Promovido anualmente, a premiação organizada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas visa estimular a pesquisa científica relacionada à área de tintas e também tem por objetivo contribuir para a integração entre o ensino superior e a indústria.

A ideia do estudo apresentado surgiu em função de uma sugestão para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dos alunos Fernando Tosti e Rodrigo Matos. O tema abordado seria o estudo das propriedades de um revestimento anticorrosivo, chamado de nanocerâmico. “Vimos aí, um grande potencial de inovação, acompanhando já uma grande tendência mundial, de uso crescente deste revestimento pela indústria. Outra questão importante é o peso e respeito que o Prêmio da ABRAFATI tem na cadeia de tintas, destacando os pesquisadores e suas instituições ou empresas, no meio acadêmico e profissional”, explica o professor Marcos Fernandes de Oliveira.

Estudo substitui pré–tratamento anticorrosivo por alternativa ecológica

O tema abordado foi o estudo da substituição de um pré–tratamento anticorrosivo chamado de fosfatização tricatiônica, por uma alternativa ecológica, chamada de revestimento nanocerâmico. O docente Marcos Fernandes de Oliveira explica que o aço–carbono é extensivamente utilizado em diversas áreas da indústria, sendo a automotiva umas das grandes usuárias deste tipo de material. Dentre suas características pode–se mencionar seu custo competitivo e diversas propriedades mecânicas importantes para a fabricação de carrocerias.

“Sua resistência à corrosão, no entanto, sem a proteção adequada leva a sua rápida degradação. De maneira a melhorar esta proteção anticorrosiva e a adesão das camadas seguintes de revestimentos orgânicos – e–coat ou eletroforese, primers e acabamentos–, pré–tratamentos são aplicados ao aço–carbono, logo após a limpeza e desengraxe do mesmo”, descreve o docente.

Marcos Fernandes de Oliveira aponta ainda que camadas de conversão à base de fosfato têm sido amplamente utilizadas como um destes pré–tratamento para aço–carbono automotivo, em particular o chamado fosfato tricatiônico (Zn, Mn e Ni). “Este tipo de revestimento, no entanto, apesar de seus ótimos resultados de proteção, não é ecologicamente adequado”, alerta.

Nos últimos trinta anos, tem crescido a preocupação com relação aos seus custos energéticos, modos de descarte e impactos ambientais relacionados ao seu processo. As temperaturas dos banhos de fosfato normalmente operam acima da temperatura ambiente (30 – 50°C). “Formam ainda muita lama ou lodo, causando muito trabalho e custos para realizar–se adequadamente seu descarte”, destaca o professor Marcos.

As novas alternativas de substituição do pré–tratamento a base de fosfato

O docente do Grupo Oswaldo Cruz explica ainda que, consequentemente, novas alternativas têm sido estudas de modo a substituir o pré–tratamento a base de fosfato. Dentre alguns, tem–se destacado, na última década, um método baseado em óxido de zircônio, aplicado por imersão em uma solução de ácido hexafluorzircônico.

“Este processo é conhecido normalmente como nanocerâmico. O processo nanocerâmico é completamente livre de metais pesados, tais como os existentes no banho tricatiônico e não gera resíduos perigosos. O processo nanocerâmico ainda é isento de íons fosfato, os quais são responsáveis pela eutroficação da superfície das águas, a qual é causadora da diminuição da vida animal, principalmente a aquática.

O docente e os estudantes da Oswaldo Cruz fizeram uma comparação, tratando pequenos corpos—de–prova (chapas) com camadas de nanocerâmico, seguidas de uma aplicação com e–coat de qualidade automotiva e, compararam com o processo de fosfatização tricatiônica convencional. “Realizamos em seguida testes usando rigorosas normas automotivas de corrosão. Os testes mostraram que o nanocerâmico apresenta–se competitivo, frente ao atual método de fosfatização, podendo gerar em um futuro próximo, grande economia energética e de insumos de produção, além de redução de impactos ambientais em grandes montadoras”.

Legenda da foto da esquerda para a direita: Fernando Tosti, professor Marcos Fernandes de Oliveira, Daniel Campos, do conselho diretivo da ABRAFATI, e Rodrigo Matos.

Publicado por: Egidio Oliveira  em: 18/01/2018